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quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Vitamina D e o Protocolo Coimbra

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O Professor Cícero Coimbra é uma das mentes médicas mais brilhantes dos nossos tempos. O desenvolvimento do Protocolo Coimbra permitiu mudar a vida de milhares de pessoas pelo mundo inteiro.
O desenvolvimento do Protocolo Coimbra iniciou-se quando verificou os efeitos que a suplementação com vitamina D teve num doente de Parkinson que apresentava também manchas de vitiligo. Após suplementar o doente com a dose fisiológica de 10.000UI por dia durante 3 meses, tendo em vista a normalização dos valores sanguíneos desta hormona, a mancha tinha praticamente desaparecido. A melhoria tinha sido absolutamente notável! Esta constatação foi o suficiente para iniciar o processo que hoje se conhece como Protocolo Coimbra.
 
Já à data era possível encontrar diversos artigos, publicados em conceituadas revistas científicas, que indicavam o papel importante da vitamina D nas processos fisiopatológicos responsáveis pelas doenças autoimunes. Essa evidência científica encerra um potencial impacto clínico muito grande: as terapias convencionais existentes para o tratamento autoimune não são totalmente satisfatórias, seja pelos níveis de controlo clínico existentes, seja pelos incríveis efeitos secundários apresentados.
Durante os anos seguintes, o protocolo foi sendo desenvolvido passo a passo, tendo sempre uma certeza: as doenças autoimunes não precisam de ser uma sentença sem direito a recurso, podem ser combatidas e vencidas. A sua especialização como neurologista, com particular foco na prática clínica, permitiu a aplicação e o desenvolvimento deste protocolo terapêutico em doentes com esclerose múltipla, uma doença classicamente referida como progressiva, degenerativa, intratável, irrecuperável. Com a evolução e o ajuste do procedimento protocolar, o sucesso terapêutico possível tornou-se evidente. De repente, a recuperação clínica era possível, mesmo em situações graves e dramáticas. Finalmente existia maneira de vencer a autoimunidade!
 
 
A terapia que se chama hoje de Protocolo Coimbra não nasceu de um dia para o outro. O seu desenvolvimento durou mais de 10 anos, até se conseguir obter os efeitos terapêuticos desejados, minimizando todos os efeitos laterais possível associados à toma de altas doses de vitamina D.  O objectivo sempre foi evidente: conseguir estabelecer uma terapia que pudesse melhorar a saúde e a vida de todos aqueles que sofrem diariamente com as doenças autoimunes.
Finalmente, em 2012, conseguiu-se atingir a eficácia e estabilidade clínica pretendidas. No total, serão já mais de 7000 vencedores, espalhados por todo o mundo, que decidiram ter um papel activo na sua saúde e iniciaram uma batalha real e efectiva contra a sua doença. A grande maioria venceu. Porque é possível vencer a doença autoimune!
 
Assista ao vídeo do Dr. Coimbra sobre o tratamento com vitamina D

youtu.be

 
Leia o resto do artigo e saiba mais sobre esse tratamento revolucionário
 

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Falar mais de uma língua pode evitar sequelas de AVC, sugere estudo



Falar mais de uma língua não traz apenas benefícios culturais. Segundo um estudo recente feito na Universidade de Edimburgo, na Escócia, ser bilíngue pode ajudar pacientes a se recuperarem melhor de um AVC (acidente vascular cerebral).
A pesquisa foi feita com 600 pessoas que foram vítimas de AVC – o resultado mostrou que 40,5% das que falavam mais de uma língua ficaram sem sequelas mentais; entre as que falavam apenas uma língua, só 19,6% ficaram sem sequelas.
 
Os pesquisadores acreditam que o estudo, que foi financiado pelo Conselho Indiano de Pesquisa Médica, sugere que o desafio mental de falar vários idiomas pode aumentar nossa reserva cognitiva – habilidade que o cérebro tem para lidar com influências prejudiciais, como AVC ou demência.
O estudo – divulgado na publicação científica American Heart Association - também levou em consideração idade dos pacientes, se eles eram fumantes ou não, se tinham pressão alta e se eram diabéticos.

Resultados

De acordo com os resultados da pesquisa, a habilidade bilíngue teria um papel "protetor" no desenvolvimento de qualquer disfunção cognitiva após um AVC.
É a primeira vez que se faz um estudo estabelecendo uma relação entre o número de línguas que um paciente fala e as consequências de um AVC para as funções cognitivas.
"A porcentagem de pacientes com funções cognitivas intactas depois de um AVC representava mais que o dobro em pessoas bilíngues em comparação com aquelas que só falam uma língua", diz a pesquisa.

"Em contraste, pacientes com disfunções cognitivas eram muito mais comuns entre os que só falavam uma língua."
 
Aprender outras línguas é algo que exige uma "ginástica" do cérebro, e vários estudos científicos já mostraram que falar muitos idiomas pode melhorar a atenção e a memória, formando uma "reserva cognitiva" que atrasa o desenvolvimento da demência, por exemplo.
 
"O bilinguismo faz com que as pessoas mudem de uma língua para outra, então quando eles inativam uma língua, eles precisam ativar a outra para poderem se comunicar", explicou Thomas Bak, um dos autores do estudo na Universidade de Edimburgo.
 
"Essa troca oferece um treinamento cerebral praticamente constante , o que pode ser um fator relevante para ajudar na recuperação de um paciente que teve um AVC", finalizou.
 

sexta-feira, 27 de março de 2015

Novo tratamento do Alzheimer restaura totalmente a função da memória

Novo tratamento do Alzheimer restaura totalmente a função da memória

Pesquisadores australianos criaram uma tecnologia de ultra-som não-invasiva que limpa o cérebro das placas amilóides neurotóxicos responsáveis ​​pela perda de memória e pelo declínio da função cognitiva em pacientes com Alzheimer.
 
Se uma pessoa tem a doença de Alzheimer, isso é geralmente o resultado de uma acumulação de dois tipos de lesões - placas amilóides e emaranhados neurofibrilares. As placas amilóides ficam entre os neurônios e criam aglomerados densos de moléculas de beta-amilóide.
 
Os emaranhados neurofibrilares são encontrados no interior dos neurónios do cérebro, e são causados por proteínas Tau defeituosas que se aglomeram numa massa espessa e insolúvel. Isso faz com que pequenos filamentos chamados microtúbulos fiquem torcidos, perturbando o transporte de materiais essenciais, como nutrientes e organelas.
 
Como não temos qualquer tipo de vacina ou medida preventiva para a doença de Alzheimer - uma doença que afeta 50 milhões de pessoas em todo o mundo - tem havido uma corrida para descobrir a melhor forma de tratá-la, começando com a forma de limpar as proteínas beta-amilóide e Tau defeituosas do cérebro dos pacientes.
 
Agora, uma equipa do Instituto do Cérebro de Queensland, da Universidade de Queensland, desenvolveu uma solução bastante promissora. Publicando na Science Translational Medicine, a equipa descreve a técnica como a utilização de um determinado tipo de ultra-som chamado de ultra-som de foco terapêutico, que envia feixes feixes de ondas sonoras para o tecido cerebral de forma não invasiva.
 
Por oscilarem de forma super-rápida, estas ondas sonoras são capazes de abrir suavemente a barreira hemato-encefálica, que é uma camada que protege o cérebro contra bactérias, e estimular as células microgliais do cérebro a moverem-se. As células da microglila são basicamente resíduos de remoção de células, sendo capazes de limpar os aglomerados de beta-amilóide tóxicos.
 
Os pesquisadores relataram um restauro total das memórias em 75 por cento dos ratos que serviram de cobaias para os testes, havendo zero danos ao tecido cerebral circundante. Eles descobriram que os ratos tratados apresentavam melhor desempenho em três tarefas de memória - um labirinto, um teste para levá-los a reconhecer novos objetos e um para levá-los a relembrar lugares que deviam evitar.
 
 

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

FISIOTERAPIA TRAZ BENEFÍCIOS AOS PORTADORES DE ESCLEROSE MÚLTIPLA

 

Fisioterapia regular pode ajudar o portador a encontrar seus próprios limites, evitando que se entregue ao sedentarismo e à depressão.


As principais causas da fadiga enfrentada pelo portador de esclerose múltipla são decorrentes dos excessos, sejam eles físicos, mentais, sociais ou ambientais. De acordo com a fisioterapeuta Marcela Batistuta, esse cansaço pode se manifestar de várias formas. “A forma aguda aparece durante os esforços e desaparece com o repouso. A crônica persiste mesmo após o repouso. A forma localizada aparece pelo excesso do uso de determinado grupo muscular, mas desaparece com o repouso. E a última é a sistêmica, a forma mais frequente na esclerose múltipla, em que a pessoa apresenta cansaço geral, perda de força e de resistência física e, também, desânimo”, explica. 
 
No entanto, segundo a especialista, existem ainda outros tipos de fadiga que podem afetar o portador da doença. “É o caso da fadiga muscular em braços ou pernas após exercícios repetitivos, como andar longas distâncias, fazendo com que a perna falhe e haja sensação de fraqueza. Isso é causado por um bloqueio do impulso nervoso, por isso o ideal é parar de andar ou realizar o ato repetitivo para que a condução nervosa reinicie. Há ainda a fadiga por falta de condicionamento físico, que ocorre quando os músculos são pouco utilizados. É um ciclo vicioso, pois quem experimenta uma fadiga intensa acaba evitando atividades físicas e cai no sedentarismo”, afirma Marcela Batistuta.
 
A fisioterapeuta destaca, ainda, que existe a fadiga relacionada à incapacidade ou invalidez, em que o impacto da esclerose múltipla no controle muscular, na coordenação e na força leva a um aumento nos esforços e no gasto de energia para realizar tarefas rotineiras. “Há também a fadiga relacionada à depressão, a induzida por medicação e a causada por distúrbios do sono. Assim como provoca a ruptura da vida diária, a fadiga causa ansiedade quando os sintomas da doença reaparecem. Isso ocorre particularmente após um esforço e especialmente quando a atividade ou o ambiente provocam um aumento da temperatura corpórea”, frisa.
 
Por isso, a especialista destaca que a fisioterapia regular pode ajudar o portador a encontrar seus próprios limites, evitando que se entregue ao sedentarismo e à depressão. Além disso, ela oferece algumas dicas práticas para melhorar o sintoma. “Evite banhos quentes, temperaturas muito quentes, exercícios excessivos, refeições pesadas, fumar. Planeje sua vida de modo a estabelecer uma escala das necessidades no trabalho, noitadas e ocasiões sociais sejam repartidas. Siga uma dieta sensata e reduza o peso, se for o caso, com a ajuda de um especialista. Fracione as atividades de vida diária e respeite o período de repouso entre as atividades. Faça atividades leves, conscientes e orientadas por um profissional, e procure se manter sereno, controlando a depressão e o estresse”, completa Marcela.
 
 
 
 
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sexta-feira, 18 de julho de 2014

Cientistas parecem ter localizado o mecanismo de desligamento da consciência no cérebro

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Todos nós perdemos a consciência diariamente: enquanto estamos dormindo. Mas os cientistas nunca haviam entendido que parte do cérebro controlava o mecanismo de estar consciente ou inconsciente. Agora, pesquisadores parecem ter encontrado essa parte do cérebro por coincidência, enquanto estavam estudando uma paciente epilética usando estimulação elétrica.
 
Como relata a News Scientist, pesquisadores da Universidade George Washington estavam usando eletrodos para monitorar os sinais do cérebro e tentar identificar que área dele disparava as convulsões da paciente. Um desses eletrodos foi colocado no claustro, uma fina camada de neurônios que fica entre as principais estruturas do cérebro — uma região que nunca havia sido estudada com o uso de eletrodos profundos anteriormente.
 
Inesperadamente, quando os pesquisadores enviaram sinais elétricos de alta frequência para o claustro, a paciente perdeu a consciência: ao contrário do que acontece durante uma convulsão, quando a atividade de uma pessoa cessa imediatamente, a paciente pareceu ir relaxando, passou a falar em voz mais baixa e se mexer mais devagar, até que ela ficou parada em silêncio, sem responder a chamados ou a estimulação visual. Ela estava, por definição, inconsciente. Quando ela acordou e a estimulação elétrica foi desligada, ela não se lembrava de nada que havia acontecido enquanto ela estava “desligada”.
 
A descoberta pode ter imensas implicações para pacientes com epilepsia ou que estejam em estados semi-conscientes, mas é só o começo das pesquisas. Até agora, esse interruptor on/off foi testado em apenas um paciente. Mas identificar o local do cérebro onde fica o mecanismo de desligamento da consciência será crucial para que entendamos melhor como funciona o fluxo cerebral, como explica o pesquisador Christof Koch para a News Scientist:
"Em última instância, se nós soubermos como ligar e desligar a consciência e que partes do cérebro estão envolvidas no processo, então nós poderemos entender quem faz o quê. Os robôs têm isso? E os fetos? Um gato ou um cachorro ou uma minhoca têm esse mecanismo? Esse estudo é incrivelmente intrigante, mas é só um tijolo no grande edifício da consciência que estamos tentando construir."

Talvez algum dia nós possamos adormecer ao desligar um interruptor localizado no fundo dos nossos cérebros.
 
 

terça-feira, 27 de maio de 2014

Mulher que fuma e toma pílula pode ter um risco maior de sofrer um AVC



O acidente vascular cerebral é mais comuns nos homens, mas nas mulheres, costuma ser mais grave - no Brasil, inclusive, o AVC é a maior causa de morte feminina. Fatores como hipertensão, diabetes, colesterol alto, alimentação ruim, sedentarismo e estresse, por exemplo, podem aumentar muito o risco em ambos os sexos. No entanto, existem fatores que podem ser ainda mais perigosos especialmente para as mulheres, como alertaram o cardiologista Roberto Kalil e o neurologista vascular Alexandre Pieri no Bem Estar de terça-feira (27/05/2014).

Se a mulher fuma e toma pílula anticoncepcional, por exemplo, o risco pode ser ainda maior – a fumaça do cigarro provoca danos nas artérias do cérebro; e o estrogênio, um dos hormônios da pílula, pode levar à formação de placas nas paredes dos vasos sanguíneos, como mostrou a reportagem da Renata Cafardo.

O neurologista vascular Alexandre Pieri alerta, porém, que o uso do anticoncepcional isolado sem outros fatores de risco associados não leva a um risco alto de AVC. Por isso, quem precisa tomar pílula deve se preocupar em controlar os outros fatores e cuidar da prevenção, ou seja, não fumar, comer bem e evitar a obesidade. Há ainda algumas fases da vida feminina que podem contribuir, como a gravidez, o pós-parto e a menopausa, como explicaram os médicos.




Arte Bem Estar AVC (Foto: Arte/G1)



 Na gravidez, um dos principais fatores que aumenta o risco de AVC é a pré-eclâmpsia, doença vascular que atinge o corpo todo. Ao longo do tempo, a doença pode levar a obstruções de vasos sanguíneos e ao enfraquecimento das paredes das artérias, que podem até se romper. Por isso, a mulher que teve esse problema na gestação deve ser acompanhada sempre por um médico. Se ela teve hipertensão durante a gravidez, o risco de hipertensão arterial no futuro também é muito maior. Além dessas fases da vida, há ainda a depressão, mais comum nas mulheres do que nos homens, que tem sido um grande fator de risco para doenças cardiovasculares e também para um AVC.
Os médicos alertaram ainda que é fundamental saber reconhecer os sintomas de um AVC para levar o paciente imediatamente ao médico, se for o caso. A dica é pedir para a pessoa sorrir - se um lado da boca estiver torto, pode ser um sinal. Depois, ela precisa estender os dois braços - se um deles cair, também é outro indício. Por último, é preciso pedir para a pessoa falar uma frase simples, como "o céu é azul" - se ela não conseguir completar, é mais um sinal. Nesse caso, é importante levá-la o quanto antes para um hospital.


Assista todos os vídeos da reportagem em g1

 

segunda-feira, 19 de maio de 2014

PILATES AJUDANDO PACIENTES COM ESCLEROSE MÚLTIPLA












Utilizado como ferramenta de reabilitação por estimular o recrutamento muscular com controle e em amplitudes que melhoram a flexibilidade global.


Além disso, é um método que visa o alinhamento postural e estimula a percepção corporal. Também trabalha muito o aspecto respiratório (um dos possíveis agravos devido fraqueza), e pode melhorar a expansibilidade pulmonar e da caixa torácica, e a função expiratória que exige mais força. Os atendimentos devem respeitar um ritmo menos intenso e os movimentos selecionados devem atender às necessidades de cada paciente, segundo as limitações motoras que ele apresenta, podendo-se modificar a forma de execução para permitir que o paciente se movimente. Portanto, vale ressaltar que por se tratar de um paciente que exige cuidados especiais, o profissional  precisa ser especializado e conhecer bem as limitações impostas pelo quadro e pela doença para ser capaz de estimular as funções motoras, sem causar fadiga ou outros danos que possivelmente agravariam muito sua condição.
Pilates pode ajudar na reabilitação de esclerose múltipla mesmo em pacientes que estão com sintomas avançados da doença, mostra uma pesquisa realizada na Universidade Queen Margaret, na Escócia. O método Pilates, já utilizado no Brasil em alguns casos de esclerose, foi testado na universidade escocesa para a reabilitação de pessoas que estão em cadeira de rodas devido à doença. A esclerose múltipla afeta, entre outras coisas, a força muscular e o equilíbrio, fazendo com que o doente perca mobilidade. No estudo, a postura e a intensidade das dores e da fadiga (sintomas da doença) foram medidas em 15 cadeirantes antes e depois de começarem seu tratamento com Pilates. Outras oito pessoas com sintomas parecidos também foram acompanhadas durante o período, porém sem participar das aulas.
Ao final de 12 semanas, foi possível observar uma melhora nas dores no ombro e no pescoço das pessoas que tiveram aulas de Pilates. Os resultados foram publicados na revista "Research Matters", editada pela Sociedade de Esclerose Múltipla de Londres. Os pesquisadores lembram que ainda são necessários estudos com maior número de participantes para validar os resultados.
Entre os benefícios da prática, há a melhora da força, da postura e do equilíbrio. Porém, se a pessoa faz exercícios inadequados para sua condição, ela pode sentir uma grande fadiga, própria da doença e mais forte do que um cansaço normal de quem vai a academia.
O Pilates, por ser originalmente um trabalho individual, permite que o instrutor conheça a pessoa e consiga perceber quais os exercícios mais adequados para suas necessidades. O uso dos aparelhos como uma forma de fazer com que seus alunos se sintam mais acolhidos. Uma pessoa que não consegue ficar de pé, por exemplo, pode fazer exercícios na cama que simulem o caminhar em um ambiente seguro.
 
 
 

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Paralíticos movem pernas pela 1ª vez após estímulo elétrico

Paralítico move a perna a partir de impulsos elétricos  (Foto: Divulgação/University of Louisville/BBC)

Estudo sugere que eletricidade torna coluna mais receptiva aos poucos impulsos que ainda chegam do cérebro à área lesionada.


Quatro paralíticos conseguiram mover suas pernas pela primeira vez após receber estímulos elétricos na coluna vertebral.
O experimento, realizado por médicos das universidades de Louisville e da Califórnia, nos Estados Unidos, possibilitou que os pacientes flexionassem, além das pernas, os dedos dos pés, tornozelos e joelhos. No entanto, eles não foram capazes de andar independentemente.
Os resultados do trabalho, divulgados na publicação científica "Brain", sugere que a eletricidade torna a coluna mais receptiva aos poucos impulsos que ainda chegam do cérebro à área lesionada.
Segundo os cientistas, a coluna atua como uma ferrovia de alta velocidade que transporta mensagens elétricas do cérebro até o resto do corpo. Se há danos no trilho, a mensagem se perde.
Há três anos, os mesmos cientistas divulgaram que Rob Summers, um jogador de baseball que ficou paralítico do tórax para baixo após um acidente de carro, foi capaz de mover suas pernas sustentado sobre uma esteira.
Agora mais três pacientes, que estão paralíticos há pelo menos dois anos, foram submetidos aos estímulos elétricos e retomaram alguns movimentos. Eles foram capazes de movimentar as pernas e todos, com exceção de um, puderam controlar a força do movimento.
 
 
Sentir-se 'vivo'
 
 A experiência confirma que certos movimentos podem ser retomados após a paralisia e que o caso de Summers não é isolado. Claudia Angeli, uma das pesquisadoras da Universidade de Louisville, disse à BBC que poder enviar o estímulo e praticar os movimentos faz com que os pacientes se sintam 'vivos' novamente.
'A massa muscular aumenta significativamente e todos eles também viram mudanças em suas funções urinárias e intestinais'.
Ainda não está claro como o estímulo funciona. Os pesquisadores explicam que alguns estímulos voluntários alcançam a região lesionada, mas não são fortes o suficiente para desencadear o movimento. Com o impulso elétrico, a coluna lombar ficaria mais sensível e reage ao receber as mensagens do cérebro. 'É como se a coluna ficasse pronta para ouvir', acrescenta Angeli.
 
Os especialistas esperam que a técnica possa se tornar um tratamento para lesões na coluna. Roderic Pettigrew, diretor do Instituto Nacional Americano de Imagens Biomédicas e Bioengenharia, disse que agora que o estímulo vertebral foi bem-sucedido nos quatro pacientes, acredita-se que um grande número de pessoas, anteriormente com pouca esperança de recuperação significativa, possa se beneficiar da nova técnica.
 
 
 

segunda-feira, 14 de abril de 2014

MÃE CADEIRANTE CONTA COMO CUIDA DE BEBÊ











Escocesa 'engatinha' com filho de 13 meses e diz que ideias e apoio externo são importantes em maternidade alternativa.

Cuidar de um bebê pode ser um desafio para uma mãe cadeirante, mas Laura Miller descobriu que com apoio e boas ideias pode até ser divertido.

Miller sofre de fibromialgia e encefalomielite miálgica. Ela vive em Glasgow, na Escócia, com o marido e o filho, Jonathan, de 13 meses, e contou à BBC como cria a criança.

'Eu faço a maioria das coisas sentada', diz Miller, que pode mover-se de sua cadeira para o chão e se deslocar sobre as mãos ou de joelhos para cuidar do filho. Mas já que ela não pode ficar em pé para carregar o bebê no colo, ela precisou encontrar outras formas levar Jonathan aonde ele quer.

Na hora de dormir, Laura desliga todas as luzes, exceto a do quarto da criança, para atraí-lo até seu berço. Às vezes, rastejando ao redor da casa com ele, usa um brinquedo barulhento para chamar a atenção e fazer com que Jonathan a acompanhe.

Ela se define como 'mãe engatinhadora' e não tem dúvidas sobre quem é mais rápido: Jonathan, como evidenciam alguns hematomas nos joelhos da mãe.

Miller acredita que seu filho não se importa de não ser levado no colo, porque ela consegue fazer com que o deslocamento entre áreas da casa seja divertido.

Além do mais, ela o coloca no colo quando está sentada.

'Em sintonia'

'As crianças entram em sintonia com o que você faz. Ele corre até o pai para que ele o coloque no colo. Mas não faria isso comigo.'
Para sair, Jonathan Miller pega 'uma carona' com a mãe. Quando ela está se arrumando para sair, chama o filho para perto da cadeira de rodas e o coloca no colo. Em seguida, usa um carregador de bebês amarrado ao corpo, no qual Jonathan viaja confortavelmente enquanto está fora de casa.
Miller diz ter certeza de estar 'super preparada' para qualquer situação que surja, e acredita que desenvolveu uma enorme capacidade de improvisar para resolver todo tipo de impedimentos e problemas. 'Esta é uma propriedade única de pais com deficiência', diz ela.

'Então, precisamos do apoio e encorajamento de outros
pais, porque, obviamente, pode ser desgastante. Precisamos de pessoas que nos estimulem e deem ideias.'
Para Miller, este apoio vem da Rede de Pais com Deficiência (DPN, na sigla em inglês). A 'mãe engatinhadora' garante que esta organização ensinou estratégias que ela usa e outros exemplos do que chama de 'maternidade alternativa'.
'Espero que, com o tempo, as competências e a força de pais com deficiência sejam mais respeitadas', escreveu Miller no site da DPN. 'Precisamos valorizar o trabalho duro que fazemos em família para agir como uma equipe'.
'Ao mesmo tempo, também precisamos reconhecer e proteger nossas vulnerabilidades e necessidades.'
Fonte: G1

terça-feira, 1 de abril de 2014

Invenção dá a crianças com deficiência física a chance de acompanhar os passos dos pais.







A invenção de uma mãe que deu ao seu filho cadeirante a oportunidade de caminhar foi lançado no mercado de todo o mundo.


Uma empresa da Irlanda do Norte transformou a ideia de Debby Elnatan em um produto que pode transformar a vida de inúmeras crianças deficientes.
Ela projetou um suporte que permitiria Rotem seu filho com paralisia cerebral a ficar de pé e, anexando-o a si mesma, deixa pai e filho tomar medidas em conjunto.
 Depois de uma busca global por uma empresa para produzir em massa o seu “Upsee”, a mãe que é de Israel escolheu na Irlanda do Norte o fabricante Leckey, que tem um longo histórico em fazer equipamentos para crianças com necessidades especiais.
Depois de testes bem sucedidos com as famílias no Reino Unido, EUA e Canadá, o Firefly Upsee foi lançado hoje no mundo.
“É maravilhoso ver este produto disponível para famílias em todo o mundo”, disse a Sra. Elnatan, que estava na inauguração oficial da fábrica Leckey em Lisburn.

 


” Quando meu filho tinha dois anos de idade , foi-me dito por profissionais médicos que” ele não sabia o que suas pernas são e não tem consciência delas. “
” Isso foi uma coisa incrivelmente  difícil para uma mãe ouvir. Comecei a levá-lo dia após dia , o que foi uma tarefa muito árdua para nós dois . Fora da minha dor e desespero veio a ideia para o Upsee e estou muito contente de vê-lo ser concretizada.


 
O aparelho: Ele inclui um apoio para a criança, que preso a um cinto usado por um adulto, e sandálias especialmente projetados que permitem que o pai e a criança deem o passo ao mesmo tempo, deixando as mãos livres para brincar e outras tarefas.
Designers, engenheiros, especialistas em têxteis e terapeutas da equipe Firefly de Leckey vêm trabalhando no projeto desde 2012.
 
 
 

 

Fonte: amorsempreconceito
 
 


 
Para mais informações sobre esse produto acesse:

 
 
www.fireflyfriends.com



Veja também:
Fisioterapia com Você: Cientistas criam sapatos que pode ajudar deficientes a voltar a andar

sexta-feira, 21 de março de 2014

Dia Internacional da Síndrome de Down

Uma futura mamãe, descobre estar esperando um filho portador da síndrome de down e escreve para a Coordown — uma associação italiana dedicada a famílias e portadores de síndrome de down – explicando que está assustada, e perguntando que tipo de vida sua criança terá.
E a resposta é oferecida por 15 crianças com down, num emocionante vídeo que vem comemorar hoje, 21 de março, o Dia Internacional da Síndrome de Down.
 
 
 

segunda-feira, 10 de março de 2014

Exame de sangue pode prever Alzheimer em pessoas saudáveis

 Foto: PA / BBCBrasil.com


Um exame de sangue pode prever com precisão o aparecimento da doença de Alzheimer, de acordo com pesquisadores americanos.

Eles mostraram que testes de nível de 10 gorduras no sangue permitiria detectar - com 90% de precisão - o risco de uma pessoa desenvolver a doença nos próximos três anos.
 
Os resultados, publicados na revista Nature Medicine, agora passarão por testes clínicos maiores.

Especialistas dizem que os resultados ainda precisam ser confirmados, mas que tal exame seria "um verdadeiro passo em frente".

Há 44 milhões de pessoas vivendo com demência em todo o mundo, número que deve triplicar até 2050.

A doença ataca o cérebro "silenciosamente" por mais de uma década antes que os sintomas surjam. Os médicos acreditam que tratamentos com remédios estão falhando porque os pacientes estão sendo submetidos a eles tarde demais.

É por isso que a descoberta de um teste que prevê o risco de demência é uma das principais prioridades para o campo.


Números da doenças
44 milhões têm demência no mundo

135 milhões terão a doença em 2050

71% pobres ou de renda média

US$ 600 bilhões é o custo global da doença

Fonte: Alzheimer's Society


Pistas no sangue

Cientistas da Universidade de Georgetown, em Washington D.C., analisaram amostras de sangue de 525 pessoas com idade superior a 70 anos, como parte de um estudo de cinco anos.
Eles compararam os exames de 53 deles que desenvolveram Alzheimer, ou algum comprometimento cognitivo leve, com os de 53 que permaneceram mentalmente ágeis. Os pesquisadores encontraram diferenças nos níveis de lipídos, ou 10 gorduras, entre os dois grupos.

E quando a equipe olhou as outras amostras de sangue, esses 10 marcadores de Alzheimer permitiam prever em quem era provável que o declínio mental surgisse nos anos seguintes.

Howard Federoff, professor de neurologia na Universidade de Georgetown, disse à BBC: "Há enorme necessidade de um exame como este. Mas temos de testar com um maior número de pessoas antes que possa ser utilizado na prática clínica."

Agora os pesquisadores estão investigando se o exame funciona para prever a doença com ainda mais antecedência do que três anos. Não está claro exatamente o que está causando as mudanças de gorduras no sangue, mas poderia ser um resíduo das primeiras mudanças no cérebro.
 
 
Desafios éticos
Um teste bem sucedido para a doença de Alzheimer pode transformar a pesquisa médica e permitir testar tratamentos com medicamentos em um estágio muito anterior da doença.

Segundo Federoff, abrandar o ritmo da doença pode ter um enorme impacto: "Mesmo um pequeno atraso de sintomas já terá um benefício econômico tremendo só em termos do custo do atendimento".


O que é demência?
É um termo genérico que abrange cerca de 100 doenças em que as células cerebrais morrem em grande escala. Todas afetam memória, linguagem, agilidade mental, compreensão e capacidade de julgamento.

A doença de Alzheimer é a forma mais comum, afetando 62% das pessoas que vivem com demência. Ela fica pior com o tempo e, eventualmente, as pessoas ficam completamente dependentes de assistência. É incurável.
 
 
Resultados

Simon Ridley, médico de uma ONG que pesquisa a doença no Reino Unido, disse que os resultados foram encorajadores.

"Para testar a eficácia de potenciais novos medicamentos, é importante ser capaz de recrutar pessoas para ensaios clínicos nas fases iniciais da doença, quando esses tratamentos são potencialmente mais eficazes".

Doug Brown, médico da Alzheimer's Society's, outra instituição britânica especializada no tema, disse que o teste poderia representar desafios éticos.

"Se isso se desenvolver no futuro, deve ser dada às pessoas a possibilidade de escolha sobre se gostariam de saber, compreendendo plenamente as implicações".
 
 
 Fonte: terra

sábado, 1 de março de 2014

Quer ser mais inteligente? Corra!

 (Foto: Renato Faccini)


Quem achou que ia cochilar na palestra do psiquiatra John Ratey ficou decepcionado. Ele fez seu público, composto por 1.100 dos principais educadores do mundo, exercitar-se ali mesmo. “Corremos sem sair do lugar por 20 segundos, depois descansamos 10 segundos e então repetimos isso mais quatro vezes”, diz. Parece um começo estranho para a apresentação de um professor da Escola de Medicina de Harvard numa conferência sobre educação. Mas Ratey sabia que esse “aquecimento” jogaria a seu favor: todos ficariam mais atentos e talvez até guardassem melhor o que estavam prestes a ouvir. Na verdade, foi um início perfeito para uma palestra sobre como usar nossos corpos para melhorar nossas mentes.
A ideia de que os exercícios físicos reduzem o risco de doenças cardíacas, de certos tipos de câncer e até previnem contra diabetes tipo II é bem aceita entre os cientistas. Só que estudos mostram que os exercícios também podem turbinar a mente. Não estamos falando apenas daquele bem-estar vago sugerido por ditados como “mente sã, corpo são”. O que Ratey e outros pesquisadores estão descobrindo é que a atividade física tem profunda influência em uma série de capacidades cognitivas que definem seu QI.
Os primeiros estudos a sugerir essa ligação vêm dos anos 1960, mas foi na década de 1990 que Fred Gage, geneticista do Salk Institute (EUA), descobriu que fazer exercícios parecia estimular o crescimento de novos neurônios em camundongos. Na mesma época, o psicólogo Arthur Krame, da Universidade de Illinois, publicou um artigo na revista Nature demonstrando que adultos antes sedentários, ao seguir um plano de exercícios de seis meses, melhoravam o desempenho em testes mentais que exigiam controle executivo. Esse controle é o tipo de concentração que nos ajuda a alternar tarefas sem cometer erros, fundamental para a inteligência.
 
Desde então, várias pesquisas confirmam e aprofundam esses resultados. Boa parte examina idosos, cujas habilidades mentais tendem a decair com o passar dos anos. Um grande estudo da Universidade de Munique, por exemplo, acompanhou 4.000 idosos durante dois anos. Aqueles que raramente faziam atividades físicas tiveram mais do que o dobro de chance de sofrer algum comprometimento cognitivo se comparados aos que faziam jardinagem, natação ou ciclismo algumas vezes por semana. Outro grande estudo publicado no periódico The Lancet, que seguiu um grupo de quase 1.500 pessoas durante 20 anos, mostrou que esses efeitos podem ser duradouros. Os indivíduos que se exercitavam pelo menos duas vezes por semana já adultos tinham menos chance de desenvolver demência quando passavam dos 60 anos. Os resultados são um alerta para os preguiçosos: formar hábitos saudáveis hoje pode atrasar o declínio mental décadas no futuro.
 
Pesquisas com jovens são mais raras, mas há evidências de que as atividades físicas fortalecem a saúde cerebral em todas as fases. Uma delas analisou crianças de 5 a 14 anos em escolas públicas na cidade de Nova York. Em testes cognitivos, os 5% de alunos que estavam mais em forma tiveram notas 36% superiores que o grupo menos em forma. Outro levantamento sobre registros de condicionamento físico de 1,2 milhão de homens que se alistaram nas forças armadas da Suécia entre 1950 e 1976 chegou a uma conclusão semelhante. A pesquisa, que seguiu os dados dos jovens dos 15 aos 18 anos, indicou correlação entre boa forma física na adolescência e o melhor desempenho em testes de inteligência e habilidades cognitivas aos 18 anos.

TER O HÁBITO DE SE EXERCITAR HOJE PODE ATRASAR O DECLÍNIO MENTAL E PREVENIR A DEMÊNCIA DÉCADAS NO FUTURO (Foto: Renato Faccini)


SACUDIDA NO CÉREBRO

O conjunto desses estudos está transformando o modo como vemos a relação entre corpo e mente. “Quando comecei a estudar o assunto, achei que houvesse um cérebro saudável básico e as atividades físicas pudessem melhorá-lo”, conta a neurologista Megan Herting, da KeckSchoolof Medicine, em Los Angeles. “Mas agora penso o contrário: as crianças com altos níveis de atividade representam o nível básico de como o cérebro deve ser ativo.” A conclusão de Megan,que estuda o impacto dos exercícios nas crianças, é que eles não são um fator que incrementa a cognição normal, mas são uma condição necessária para que ela exista.
O que está por trás dessa relação? “As pessoas gostam muito da euforia provocada pela corrida e da clareza mental que sentimos com uma rotina de exercícios”, afirma Brian Christie, neurocientista da Universidade de Victoria, no Canadá. O estresse pode inibir as respostas cerebrais na resolução de problemas, impedindo que o órgão faça as conexões necessárias. “Se você sai para caminhar, seus níveis de estresse geralmente despencam”, diz Christie. O fenômeno pode explicar em parte por que as crianças mais saudáveis também têm melhor desempenho nos estudos.
 
Os exercícios provavelmente contribuem com mudanças mais permanentes. Por ser um dos órgãos que mais consome energia, o cérebro depende de uma dieta constante de nutrientes e oxigênio, supridos por uma complexa rede de vasos sanguíneos. As atividades físicas encorajam a construção dessas linhas de suprimentos e também facilitam sua manutenção. Matthew Pase, da Universidade Swinburne, na Austrália, descobriu que a pressão alta, especialmente nas grandes artérias centrais que alimentam o cérebro, pode causar falhas no desempenho cognitivo, talvez em consequência de danos aos vasos. Como a atividade física regular reduz a pressão arterial, ela deve proteger o cérebro desses problemas no fornecimento de alimento. Outra forma mais indireta de benefício é o fato de que indivíduos mais atléticos têm menos risco de diabetes e obesidade, problemas que podem gerar um ciclo de reações que contribui para o acúmulo das placas cerebrais em pacientes com Alzheimer.
Quando falamos de mudanças dentro do cérebro, as atividades físicas provocam a liberação de neurotransmissores como serotonina, noradrenalina e dopamina, os mesmos estimulados pelos antidepressivos e medicamentos para hiperatividade. Ou seja, uma corridinha na esteira ou uma pedalada na bicicleta ergométrica pode se parecer com tomar uma mistura de Prozac com Ritalina, explica Ratey. Os exercícios também estimulam a produção de substâncias que regulam o desenvolvimento do cérebro, os fatores de crescimento. Ratey chama essas substâncias de “adubo cerebral”, pois elas criam um ambiente no qual os neurônios podem prosperar e promove a formação de novas conexões.

"PRECISAMOS QUE AS CRIANÇAS SE MEXAM TODOS OS DIAS. ALÉM DE FAZER SENTIDO EM TERMOS DE SAÚDE, TAMBÉM AUMENTA SUAS NOTAS NAS PROVAS" (Foto: Renato Faccini)

EVOLUÍMOS PARA CORRER

As origens dessa conexão entre corpo e mente provavelmente estão em uma época remota de nossa evolução. “A atividade física é uma parte importante de nossa história evolucionária. Todo nosso sistema fisiológico se baseia em ser atlético”, afirma David Raichlen, antropólogo biológico da Universidade do Arizona. Talvez a capacidade cerebral tenha emergido para melhorar a busca por alimentos, ele sugere. Quando os animais procuram comida, o aumento de fatores de crescimento no cérebro leva ao desenvolvimento de neurônios e sinapses, o que ajuda a lembrar o caminho para voltar à fonte de comida mais tarde.
 
Raichlen lembra que os seres humanos têm resistência atlética muito superior à dos outros primatas. Em outras palavras, ninguém jamais veria um macaco correndo uma maratona. À medida que se adaptaram a corridas de longa distância em busca de alimentos, nossos ancestrais teriam vivenciado uma injeção constante dos fatores de crescimento, o que fez os neurônios e sinapses se desenvolverem. É possível que o resultado tenha sido uma explosão na inteligência, defende Raichlen. Ou seja, que parte da razão para a inteligência dos seres humanos esteja no nosso esforço físico.
Independentemente do papel dos exercícios na evolução, suas consequências para o cérebro já começam a ser levadas em consideração. O Departamento de Saúde dos EUA está encorajando as escolas a oferecerem mais aulas de educação física e o Instituto de Medicina do país recomenda que os alunos das séries iniciais façam 30 minutos de exercício por dia e os mais velhos 45 minutos. “Precisamos que as crianças se mexam todos os dias. Além de fazer sentido para a saúde, também aumenta suas notas nas provas”, diz Ratey.
 
O mesmo princípio se aplica à população mais velha. Exercitar-se é uma alternativa aos jogos de inteligência. Kramer diz que ainda não há evidências suficientes que comprovem o benefício de jogos como palavras cruzadas, já que as melhorias conquistadas não parecem afetar o cotidiano. Por outro lado, os novos programas de exercício, conduzidos durante seis meses ou um ano, tendem a acelerar a velocidade de processamento cerebral e melhorar a atenção e a memória em diversas atividades. Combinar as duas abordagens pode ser a opção ideal.

 (Foto: Renato Faccini)


 (Foto: Renato Faccini)


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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Estudo realizado consegue indentificar sinais precoce do autismo

 
Efeitos do autismo podem ser minimizados com intervenções precoces
 
 
Estudo consegue identificar marcadores para doença a partir dos dois meses de idade, antes do declínio das habilidades sociais


Falta de contato visual é uma das características do diagnóstico de autismo


O contato com os olhos durante a primeira infância pode ser a chave para a identificação precoce de autismo, de acordo com um estudo financiado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH) dos Estado Unidos. Publicado semana passada na revista Nature, o estudo revela o primeiro sinal de desenvolvimento do autismo seria um declínio constante na fixação dos olhos do segundo ao sexto mês de vida.

O autismo geralmente é diagnosticado depois de 2 anos de idade, quando os atrasos no comportamento social e habilidades linguísticas de uma criança se tornam aparentes. Este estudo mostra que crianças apresentam claros sinais de autismo em uma idade muito mais jovem, disse Thomas R. Insel, diretor do NIMH. "Quanto mais cedo formos capazes de identificar marcadores precoces para o autismo, as intervenções de tratamento podem ser mais eficazes."

Crianças com desenvolvimento típico começam a focar rostos humanos nas primeiras horas de vida, e eles aprendem a entender os sinais socialização, prestando especial atenção aos olhos de outras pessoas. As crianças com autismo, no entanto, não apresentam esse tipo de interesse. Na verdade, a falta de contato visual é uma das características de diagnóstico da doença.

O estudo acompanhou crianças desde o nascimento até 3 anos de idade. Os participantes da pesquisa foram divididos em dois grupos, com base em seu risco de desenvolver um transtorno do espectro do autismo. Os integrantes do grupo de alto risco tinham um irmão mais velho já diagnosticado com autismo, aqueles no grupo de baixo risco, não.

O estudo utilizou equipamentos de rastreamento ocular para medir os movimentos dos olhos de cada criança enquanto elas observavam as cenas de um vídeo do cuidador. Os pesquisadores calcularam a porcentagem de tempo que cada criança fixou os olhos na boca, corpo, bem como nos espaços não-humanos das imagens. Todas as crianças realizaram 10 diferentes testes entre 2 e 24 meses de idade.

Aos 3 anos, algumas das crianças (quase todas do grupo de alto risco) tinham recebido um diagnóstico clínico de um transtorno do espectro do autismo. Os pesquisadores, então, revisaram os dados de rastreamento ocular para determinar quais os fatores que diferenciaram as crianças que receberam um diagnóstico de autismo e aquelas que não o tiveram.

Nas crianças que foram diagnosticadas com autismo, observamos um declínio constante no tempo que eles permanecem olhando para os olhos mãe, afirmaram os pesquisadores. Esta queda na fixação do olhar começou entre dois e seis meses e continuou durante todo o curso do estudo. Por 24 meses, os bebês que mais tarde foram diagnosticados com autismo ficaram focados nos olhos cuidador apenas metade do tempo que o grupo de bebês com desenvolvimento normal.

Em oposição a uma teoria de longa data que afirma que comportamentos sociais são inteiramente ausente em crianças com autismo, os resultados deste estudo sugerem que as habilidades de engajamento social estão intactas logo após o nascimento de crianças com o problema.
 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Vacina contra a esclerose múltipla

Experiência feita na Itália revela que o imunizante ajuda a evitar a progressão da doença em pessoas que tiveram algum sintoma inicial
 
 
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A vacina usada contra a tuberculose, a BCG, é uma das fortes apostas da ciência para combater os danos cerebrais provocados pela esclerose múltipla, doença degenerativa do sistema nervoso central que afeta pelo menos 2,5 milhões de pessoas no mundo. Resultados de um estudo realizado em quatro centros italianos com pacientes que apresentavam sinais precoces da doença – como dormência em partes do corpo ou falta de equilíbrio – indicaram que o imunizante ajuda a bloquear a progressão dos sintomas.

Dos 82 voluntários que participaram do estudo, todos com alto risco de apresentar a doença no futuro após terem tido um primeiro surto (uma situação identificada como síndrome clinicamente isolada), metade tomou a vacina, enquanto os outros receberam placebo. Por seis meses, o grupo completo foi submetido a exames de imagem mensais para verificar a existência de danos neurológicos. No final, a média de lesões encontrada nos indivíduos não vacinados era praticamente o dobro do que se viu naqueles que tomaram o imunizante.
 
 
 
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Depois, os dois grupos foram tratados com remédios específicos (imunomoduladores) para controlar sintomas, reduzir a inflamação que permite o avanço da doença e o risco de sequelas. As conclusões do estudo, recentemente publicado pela revista “Neurology”, revelam que, cinco anos depois, 58% das pessoas vacinadas não manifestaram o quadro clássico da doença. No grupo não vacinado, essa proporção foi de 30%. “O trabalho sugere que a associação da vacina após o primeiro episódio da doença com o tratamento convencional pode alterar positivamente o curso da doença. Isso foi demonstrado estatisticamente de forma significativa”, diz o neurologista Rodrigo Thomaz, do Centro de Esclerose Múltipla do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Embora os mecanismos de ação da BCG contra a doença ainda não estejam claros, ela foi selecionada para o teste por alguns motivos. Já havia um estudo piloto demonstrando que era segura e possivelmente eficaz contra novas lesões. Também existiam dados de que poderia diminuir, a longo prazo, os danos neurológicos que podem conduzir, por exemplo, à perda da mobilidade.
 
 
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Os resultados são promissores, mas os médicos preferem cautela. “Trabalhos com mais pacientes são necessários para que o tratamento seja recomendado”, diz Rodrigo Thomaz. Concorda com ele Giovanni Ristori, pesquisador da Universidade de Sapienza, em Roma, que liderou a pesquisa. “Os médicos não devem começar a usá-lo para tratar a esclerose ou a síndrome clinicamente isolada. Precisamos saber mais sobre os efeitos de segurança a longo prazo dessa vacina”, alertou.  
 
 
 
 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Reabilitação: superando limitações

Reabilitação: superando limitações

Com abordagem holística, a reabilitação busca proporcionar autonomia e qualidade de vida à pessoa com deficiência
 
 
Nos vários âmbitos da sociedade há um positivo avanço da conscientização, das políticas e das práticas em favor da acessibilidade – um conceito que não envolve apenas a eliminação de obstáculos (físicos ou não), mas abrange todos os aspectos que possam favorecer o pleno desenvolvimento humano e a inclusão das pessoas com deficiência. Os serviços de reabilitação passaram a adotar um olhar mais abrangente, combinando avanços tecnológicos, equipes multidisciplinares especializadas e abordagem do perfil funcional de cada paciente para que pessoas com algum tipo de limitação física imposta por uma doença ou acidente reconquistem a autonomia, a qualidade de vida e todos os acessos a que têm direito, com plena segurança.
 
É abrangente a diversidade de recursos de reabilitação que promovem a reintegração das pessoas que apresentam limitações que interferem no desempenho funcional das atividades rotineiras. “Tivemos nos últimos anos uma evolução importante tanto no aperfeiçoamento dos profissionais que atuam em reabilitação como no avanço da tecnologia”, afirma a terapeuta ocupacional Maria Tereza Augusto Ioshimoto, coordenadora de Terapia Ocupacional do Einstein. Um exemplo simples, segundo ela, são as cadeiras de roda. “Antes, o paciente que alugava um equipamento desses não tinha escolha: uma mesma cadeira servia para pessoas de diferentes estaturas e pesos. Hoje, a cadeira é mais personalizada, com encosto, assentos, apoios de cabeça, braços e pés adaptados e uma variedade enorme de almofadas que minimizam os riscos de aparecimento de escaras e proporcionam mais segurança, conforto e bem-estar”, explica. “Isso sem falar da leveza dos materiais hoje utilizados na fabricação das cadeiras de rodas, que facilitam o manuseio e o deslocamento dessas pessoas. Os indivíduos que usam cadeiras de roda, mas não têm condições de se deslocar com ela de forma independente podem fazer uso dos modelos motorizados, que não exigem nenhum esforço físico. Tudo isso, além de melhorar a qualidade de vida do indivíduo com deficiência, integra mais a pessoa que tem algum tipo de limitação”, completa a fisioterapeuta Fátima Cristina Martorano Gobbi, gerente de Serviço Multiprofissional do Einstein.
 
Em instituições de saúde estruturadas, o trabalho de reabilitação pode começar já na fase aguda, quando o paciente ainda se encontra na unidade de terapia intensiva, por exemplo. A intervenção precoce ajuda a prevenir deformidades, otimizar o resultado funcional e evitar ou minimizar complicações relacionadas à imobilidade e permanência prolongada no leito.
Atualmente, os centros de reabilitação estão mais bem equipados, com uma gama de atividades desenvolvidas para a realização de treinamentos diários objetivando capacitar essas pessoas ao novo perfil funcional adquirido. São espaços que se parecem cada vez mais com modernas academias, com equipamentos diversos, recursos robóticos e games para exercícios motores e cognitivos, dependendo do perfil do paciente atendido. A equipe ideal congrega um time multiprofissional: fisiatras, cardiologistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, enfermeiros, fonoaudiólogos e nutricionistas.
 
Os cuidados, porém, devem acompanhar o paciente para além das fronteiras do centro de reabilitação. Hoje, há instituições que oferecem consultoria especializada, com avaliações de adequação ambiental para garantir à pessoa com algum tipo de limitação o máximo de conforto, acessibilidade e segurança na residência, local de trabalho ou de estudo. “Na casa de um paciente que se tornou usuário de cadeira de rodas, andador, bengala, muletas ou mesmo que apresente apenas uma alteração de equilíbrio, se faz necessário realizar uma avaliação ambiental, na qual são analisados aspectos como largura das portas, corredores, presença de escadas, desnível e irregularidade de piso, entre outros. No caso de um paciente idoso, com locomoção ou visão limitada, devem ser observados riscos que indiquem a importância de instalação de barras de segurança ou de sensores de presença com iluminação, por exemplo”, afirma Maria Tereza.
“O profissional vai à casa do paciente, fotografa tudo e analisa as barreiras existentes no ambiente que impedirão a funcionalidade do paciente ou a participação nas atividades familiares. O domicílio é inteiramente mapeado e são propostas facilidades que a pessoa com deficiência precisa para ter independência”, explica Fátima Cristina. Segundo as profissionais do Einstein, há soluções bastante simples. Por exemplo, um piso escorregadio no banheiro pode receber a aplicação de um líquido especial que, em duas horas, o torna antiderrapante, sem necessidade de ações mais drásticas, como a remoção do piso. Um banco retrátil pode facilitar o banho do paciente com problema nos membros inferiores e, depois de utilizado, como é escamoteável, o espaço é liberado para o uso tradicional das demais pessoas da casa. “Além dos pacientes, é importante pensar também no conforto e ergonomia das demais pessoas da família e cuidadores, evitando ambientes ou áreas segregadas dentro da casa”, ressaltam.
 
Em resumo, sob um olhar técnico, os profissionais que atuam nesse tipo de consultoria identificam restrições e riscos potenciais, sugerem melhorias, com orientação para ajustes arquitetônicos e incorporação de equipamentos e instrumentos mais adequados. A ideia é ter um ambiente acessível, confortável, seguro e acolhedor para a pessoa com deficiência e também para aqueles que com ela convivem.
Além disso, novas frentes se abrem, como os recursos de telemedicina que, de certa forma, “levam” o centro de reabilitação para a casa do paciente: por meio de programas informatizados e mediante uma orientação inicial preliminar, exercícios de reabilitação podem ser executados pela pessoa na própria residência, sendo monitorados à distância pelas equipes médicas.
 
Se o trabalho da reabilitação, assim como todo processo assistencial, tem de ser centrado no paciente, este também deve ser envolvido nas decisões. O paciente ajuda a detectar as barreiras que dificultam ou limitam as atividades e compartilha as decisões sobre o próprio processo de reabilitação. Segundo Fátima Cristina, essa é uma abordagem alinhada com a International Classification of Functioning, Disability and Health (ICF), referencial da Organização Mundial da Saúde para mensurar a incapacidade de um indivíduo, levando em conta restrição de habilidades ou capacidades para executar atividades e tarefas na forma considerada normal. “Com o ICF, houve uma mudança de conceito e a reabilitação passou a enxergar não mais a deficiência, mas o que a pessoa tem de potencial”, diz a fisioterapeuta. “A reabilitação tem de usar todos os recursos profissionais e tecnológicos disponíveis, adotando um olhar abrangente. A pessoa com deficiência ou limitação tem de ser incluída num sentido amplo – incluída na família, no trabalho, na vida social... Só então acaba o trabalho da reabilitação”, finaliza Maria Tereza.
 

Veja nossa divertida animação sobre como podemos lidar com a deficiência dos outros:

 
 
 
 
 

sábado, 30 de novembro de 2013

EXAME DA MARCHA BENEFICIA CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA MOTORA













O exame da marcha oferecido pelo Centro Hospitalar de Reabilitação, do Governo do Estado, em Curitiba, traz benefícios para crianças que apresentam deficiência motora em decorrência de paralisia cerebral. Rafaely Vitória Valoto dos Santos, 13 anos, agora pode brincar normalmente e Gustavo Wendler Grillanda, 11 anos, foi submetido à avaliação e será possível estudar a melhor forma de ajudá-lo a caminhar com mais qualidade.

O exame, considerado de alta complexidade e de alto custo, é realizado no Laboratório de Marcha, o primeiro do sul do Brasil e o único a prestar serviços exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O investimento é de aproximadamente R$ 1 milhão, e os encaminhamentos são feitos pelas regionais de saúde e hospitais credenciados ao sistema.

“Em três anos, foram investidos R$ 39 milhões na aquisição de equipamentos para os hospitais do Governo do Paraná, incluindo um tomógrafo para o Centro Hospitalar de Reabilitação”, explica o superintendente de Unidades Hospitalares Próprias, da Secretaria da Saúde, Charles London.

EQUIPE – O Laboratório de Marcha do CHR é operado com equipe multidisciplinar composta por médicos ortopedistas, fisioterapeutas e engenheiro mecatrônico. O ortopedista pediátrico Alessandro Melanda afirma que o exame dura em média quatro horas e são necessárias 12 horas para ser finalizado.

Depois do exame propriamente dito, é necessária a compilação dos dados e a elaboração do laudo tridimensional (3D) capaz de nortear o tratamento ortopédico do paciente. “O exame avalia todos os movimentos do corpo e proporciona mais assertividade para o tratamento, seja ele com fisioterapia, medicamento ou cirurgia”, explica o médico.

A médica ortopedista pediátrica Ana Carolina Pauleto informa que, além das crianças com paralisia cerebral, podem ser beneficiados amputados, pacientes com problemas neurológicos (com sequelas de AVC) e motores. “Este é um exame complexo, que deve ser indicado a partir de rigorosa avaliação clínica”, diz a médica. Mais de 80 exames como este já foram realizados no Paraná.

SOLUÇÃO – Quem observa Rafaely, em sala de aula, brincando com os colegas, não imagina que antes de 2011, esta atividade era quase impossível para a menina. As pernas tortas faziam com que Rafaely se locomovesse com dificuldade e sem equilíbrio.

Em 2011, ela foi submetida ao exame da marcha no Centro Hospitalar de Reabilitação. “A Rafaely foi uma das primeiras crianças a se beneficiar com este exame”, afirma a mãe, Telma Valoto Gonçalves. Do exame veio a indicação para a cirurgia reabilitativa que permitiu que a menina andasse normalmente.

“Hoje ela tem uma vida normal. Cursa o terceiro ano do ensino fundamental em uma escola municipal de Araucária. Brinca com as crianças da escola sem nenhuma dificuldade”, disse. Também é aluna aplicada, gosta de matemática e de ler livros na biblioteca do colégio.

ESPERANÇA – Gustavo nasceu prematuro e teve paralisia cerebral por intercorrências durante o parto. Os pais do menino, Gilmar Grillanda, 46 anos, e Maria Izabel Wendler Grillanda, 40 anos, contam que o menino começou o tratamento quando tinha 6 anos e que já evoluiu muito, porém ainda não caminha com segurança. “Este é o primeiro exame deste tipo a que temos acesso. O Gustavo é muito esforçado e com certeza vai reagir bem aos novos tratamentos, que forem indicados com o resultado deste exame”, afirma o pai.

O maior desejo da família é que Gustavo fique mais independente e possa brincar com os irmãos e amigos, inclusive com o irmão gêmeo Guilherme, que não tem paralisia cerebral. A família de Gustavo mora em São Pedro do Ivaí e o menino faz tratamento em Londrina, no Norte do Estado.
 

 
Fonte: Paraná Hoje
 

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

USP recruta pacientes para testar terapias com videogames em casos de AVC



A pesquisa atual selecionou jogos que, além de movimentar o corpo, têm potencial de estimulação cognitiva


O Departamento de Fonoaudiologia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Fofito) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) está recrutando pacientes vítimas de Acidente Vascular Encefálico (AVE - nova sigla para AVC) para pesquisas sobre o potencial terapêutico de videogames.

Resultados de levantamentos anteriores apontam que para os idosos saudáveis, o uso dos jogos propicia excelentes resultados no controle da marcha (velocidades e habilidades para andar) e é potencialmente benéfico para prevenir os dois grandes problemas de saúde pública dessa população: o declínio cognitivo, associado à idade, e os problemas de equilíbrio, que aumentam a frequência de quedas, ligadas diretamente à morbidade nessa faixa etária.

Na pesquisa atual, foram selecionados, dentre os games que utilizavam o corpo todo, aqueles que também tivessem potencial de estimulação cognitiva, envolvendo aspectos como memória, atenção e tomada de decisão. Afinal, para atravessar uma rua não basta a habilidade motora (dar os passos), mas também é preciso decidir que velocidade terá a marcha; se é o momento certo de fazer a travessia; como lidar com imprevistos - um cachorro que surge, um carro que avança etc. É, portanto, um casamento entre habilidades motoras e cognitivas.

Os estudos realizados com idosos saudáveis envolviam dois grupos: o controle fazia os exercícios convencionais, enquanto o grupo experimental, além desses, passava também pelo treinamento com o Nintendo Wii. Os testes mostraram que os idosos que fizeram o treinamento com o game melhoraram seu equilíbrio, cognição e funcionalidade em relação aos que fizeram apenas a fisioterapia convencional.

Uma das explicações para esse resultado, de acordo com a professora Maria Elisa Pimentel Piemonte, orientadora dos trabalhos, é que essas pessoas já tinham um bom nível para as habilidades requeridas - mas, quando a complexidade do treino foi aumentada, os integrantes do grupo experimental manifestaram um potencial que estava latente.

Para idosos saudáveis, portanto, do ponto de vista de política de saúde, o impacto potencialmente benéfico é muito maior, considera a pesquisadora, porque eles podem comprar o jogo e operá-lo em casa, sem a necessidade de assistência de um fisioterapeuta.

Para pacientes com doença de Parkinson, também há vantagens em associar os games à fisioterapia convencional, mas é preciso tomar vários cuidados: nem todos os jogos servem a todos os propósitos, e também é necessário contar com a presença de um profissional para dar assistência. "Não é mágica, não se aplica a todo mundo. Há recomendações de uso e é preciso selecionar bem os jogos", diz a professora.
 

Quem pode participar

Para as pesquisas em andamento com pacientes de AVE no Laboratório de Aprendizagem Sensório-Motora do Fofito, foram selecionados jogos que forçam a simetria. A razão é que essas pessoas vivem uma assimetria: um dos seus lados se movimenta mais que o outro, numa relação chamada contralateral em relação ao hemisfério cerebral atingido se foi o hemisfério direito, o lado do corpo afetado será o esquerdo, e vice-versa.

Depois da adaptação e da avaliação inicial, os pacientes vão passar por um treinamento de catorze sessões com os jogos ao longo de sete semanas. Ao final, o estudo espera determinar quando ocorre a aprendizagem e se as habilidades de equilíbrio desenvolvidas terão repercussão nas atividades do dia a dia. Três pesquisas de mestrado e uma de doutorado vão se basear nesses testes clínicos.

Os pacientes interessados precisam ter tido o AVE há pelo menos seis meses e têm que ser capazes de ficar em pé para conseguir jogar. Informações na secretaria do Fofito, pelo fone (11) 3091-7451, com Rose.
 
 

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Einstein inaugura Centro de Tratamento e oferece nova técnica contra o Parkinson

Einstein inaugura Centro de Tratamento e oferece nova técnica contra o Parkinson

Terapia de Estimulação Cerebral Profunda minimiza imediatamente tremores, rigidez e movimentos involuntários
 
Em parceria com a Cleveland Clinic, o Einstein começará a realizar uma cirurgia que reduz os principais sintomas da doença de Parkinson: tremores, rigidez e lentidão dos movimentos. A terapia de Estimulação Cerebral Profunda, ou Deep Brain Stimulation (DBS) em inglês, é usada em conjunto com algumas medicações e pode ser considerada efetiva, ajustável e reversível.
O gerente de práticas médicas do Einstein, Porter Kevin Jones, destaca a importância da consultoria da Cleveland Clinic, orientada pelo dr. André Machado, para o Einstein: “Somente centros de excelência realizam esse tipo de cirurgia. A ideia é que a parceria entre a universidade estrangeira e membros do corpo clínico do Einstein, com formação e inserção internacional, garanta aos pacientes um padrão de excelência no atendimento em um contexto multidisciplinar.”
"Durante a cirurgia são implantados, primeiramente, dois eletródios em áreas profundas do cérebro, que serão estimuladas por um gerador de pulsos colocado sob a pele na região da clavícula”, afirma o neurologista André Felicio. “Os impulsos elétricos são enviados do gerador até o cérebro, modulando a atividade de estruturas nervosas responsáveis pelos sintomas da doença.”
A localização da área do cérebro onde os eletródios serão implantados é definida por um sistema de coordenadas tridimensionais, que possibilita uma precisão milimétrica, segundo o neurocirurgião Guilherme Lepski. “Na primeira parte do procedimento, o cirurgião registra a atividade elétrica cerebral e depois realiza testes clínicos para determinar se a estimulação elimina os sintomas motores da doença e se causa efeitos colaterais.”


Eletródios - Implantados dentro do cérebro, eles entregam as estimulações para áreas alvo. - Neuroestimulador - Gera e envia impulsos elétricos para partes específicas do cérebro. Os geradores devem ser trocados de 5 a 10 anos de uso. Os parâmetros da estimulação podem ser ajustados pelo médico.

Os ajustes dos parâmetros da corrente elétrica são realizados pelo médico por meio de um controle remoto – ajustado por radiofrequência. O paciente também consegue fazer alguns ajustes, mínimos, dentro de um padrão estabelecido pelo médico.
De acordo com a neurologista Gisele Sampaio Silva é muito importante reconhecer o tipo de paciente que será beneficiado pela nova técnica. “O paciente com melhores chances de resposta ao tratamento deve apresentar a forma típica de Parkinson, não possuir demência, depressão, sintomas psicóticos e nem ter condições clínicas descompensadas.”
“Pacientes com doença muito avançada e com grau de comprometimento cognitivo importante não são candidatos à cirurgia, pois a nova terapia é pouco efetiva nesses casos devido ao comprometimento de vários sistemas do cérebro”, explica o professor Lepski.

Principais benefícios

  • Melhora a qualidade de vida dos pacientes com Parkinson;
  • Minimiza o impacto dos sintomas da doença;
  • Diminui a medicação;
  • Aumenta o tempo do efeito dos medicamentos;
  • Melhora os principais sintomas: tremores, rigidez e o excesso de movimentos involuntários (discinesias).
“No início, a doença de Parkinson caracteriza-se predominantemente por sintomas motores. A terapia de Estimulação Cerebral Profunda libera os movimentos e restaura o padrão de motricidade normal em um doente que tipicamente tem sua cognição preservada, é socialmente ativo, tem a memória e concentração, mas não consegue se locomover”, diz o prof. Lepski.

Riscos

  • AVC hemorrágico (rompimento de artéria cerebral);
  • Infecções da ferida operatória;
  • Alterações psiquiátricas;
  • Meningites.
“A estimulação também pode causar alguns efeitos como contrações musculares, formigamento e dormência, porém eles são transitórios, uma vez que os parâmetros de estímulo podem ser ajustados para minimizar os efeitos colaterais e atingir o controle máximo dos sintomas”, conta o dr. Felicio.


Fontes:
Profa. dra. Gisele Sampaio Silva, neurologista, Gerente Médica do Programa Integrado de Neurologia do Einstein, residência e doutorado pela UNIFESP, especialização pela Universidade de Harvard
Dr. André Felicio, neurologista do Einstein, residência e doutorado pela UNIFESP, ex-fellow pela British Columbia University, Canadá
Prof. dr. Guilherme Lepski, neurocirurgião do Einstein, doutor pela USP e pela Universidade de Freiburg, professor de neurocirurgia pela USP e pela Universidade de Tübingen, Alemanha
Porter Jones, gerente de práticas médicas do Hospital Albert Einstein